É tanta confusão de sentimentos, de climas, de possíveis interpretações do que realmente pode parecer. Tudo isso em uma mulher e uma guitarra. Scout Niblett é estranha. Você não sabe o que ela realmente quer com sua música. Se ela quer mostrar a agressividade ou quer te conquistar com a voz. Se ela quer te encantar com dedilhados da guitarra ou quer sujar o silêncio. Se ela quer parecer crua e obscura ou se suas canções são a maior clareza dela.
Agora Scout lança “Just do it/Dinosaur Egg” que poderia responder algumas das questões acima. Ao contrário, mais dúvidas. O folk-grunge, que é como eu gosto de colocar o estilo de Scout Niblett, fica no padrão de discos anteriores, mas é algo que ela poderia fazer e lançar uma vez por mês que ainda assim valeria a audição.
São apenas três canções que se enrolam entre ironia, raiva, paixão e intimismo. A guitarra em punho trás dedilhados ou riffs simples, sujos, quase amadores. Aí está o charme. Na vontade de Scout de fazer sua música sem se importar muito. A voz, agressiva como uma criança que grita por atenção, e que, em alguns momentos, solta um sussurro-confissão e mostra sua fragilidade. É o que apaixona em Scout.
“Dinosaur Egg”, canção que abre o disco, é a versão de Niblett para o poema de David Shrigley. A música é tão confusa quanto o artista. Milhares de possibilidades se abrem para tentar saber que mensagem a voz de Scout quer passar com versos como “Dinosaur egg, oh dinosaur egg/When will you hatch/Cause I got a million people coming on Friday/And they except to see a dinosaur not an egg”. Parece irônico, mas a voz emocionada da cantora nos confunde.
Um cover meio inesperado de The Cars na segunda faixa, com “Just What I Needed”, potencializa a emoção na infantil voz de Scout Niblett. E novamente a dúvida. Amenizando a guitarra da música original, com seus gritos e sussurros, Niblett primeiro canta “It’s not the perfume that you wear/It’s not the ribbons in your hair/I don’t mind you coming here/And wasting all my time” pra depois confessar “I guess you’re just what I needed”. Scout ainda encerra com “Just do it”, de sua própria autoria e com a sua já conhecida marca.
Há dois caminhos com Scout Niblett. Ou você gosta, pelo mistério de como uma canção tão simples te encantou, ou você não gosta achando que é amador demais e não quer dizer nada. Eu ainda estou encantado e correndo atrás das respostas de Scout Niblett.
Scout Niblett
Just do It/Dinosaur Egg
9 de Junho, Too Pure
Download (todas as músicas no MySpace)



4 comentários
Feed de comentários deste artigo
junho 2, 2007 às 11:26 pm
Rodrigo
Oi, achei teu blog pelo google tá bem interessante gostei desse post. Quando der dá uma passada pelo meu blog, é sobre camisetas personalizadas, mostra passo a passo como criar uma camiseta personalizada bem maneira. Até mais.
junho 4, 2007 às 12:01 am
Leticia
eu sempre visito o blog aqui pra conhecer artistas novos, e por incrivel que pareça, eu já conhecia Scout Niblett.
ela é fantástica mesmo!
continue aí com o blog (:
junho 6, 2007 às 3:08 am
César M.
Opa, o Arcoirá voltou… e pelo visto aha muito tempo, eu não visitava aqui desde o post do Brendan Benson… comecei lá de baixo e não fui muito com a cara da Meg Baird… vamos ver como vai ser com a Scout… valeu pelas dicas
junho 6, 2007 às 7:43 pm
Gabriela
seria scout niblett o salvador dali da música?