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Quando um disco é muito bom, é difícil começar uma resenha sobre ele. Então, por medo de que eu transcenda em sentimentos que o disco me fez transcender, começo pedindo desculpa caso esse texto não fique tão bom quanto o disco merece. Aproveito para dizer que os elogios aqui registrados não são aqueles do “calor do momento”. Já faz uma semana que tento escrever sobre ele. Aí vai minha humilde tentativa.

O disco “The Brightness” de Anaïs Mitchell é uma obra muito bem planejada. As vigas de sustentação são as melodias simples e arranjadas no piano e no violão. No violão, senti um pouco do dedilhado de Nick Drake e no piano algumas batidas das mãos de Frida Hyvönen. Algumas canções ainda recebem alguns acabamentos especiais, banjo, violino e saxofone.

Seguindo a construção temos as letras. Pelo que eu descobri, Mitchell adora viajar, já conheceu boa parte dos Estados Unidos, Europa e América Latina. As letras mostram alguém que está atenta ao mundo e o interpreta na forma de palavras. E ela é boa com as palavras. Tanto na sua forma sonora quanto na de significação. Utiliza rimas de forma autêntica, e utiliza o som da palavra como uma arma pra conquistar os ouvidos. Através dessa artimanha, fala de amor, política e aspectos sociais. Mas nada de forma dura, para conseguir nossa atenção ela nos seduz. Em algumas letras, ela deixa aberta a possibilidade de interpretação. Se acostume. Ela vai brincar com você o tempo todo. Tentando descobrir se aquilo é indagação política ou romântica, se é alguma interpretação social do mundo ou apenas um retrato de alguma cena banal.

O aconchego dessa obra está na voz. Para tentar descrever vou utilizar de uma metáfora que eu vi em algum site, agora não me lembro onde, sobre Joanna Newsom. Dizia assim, “é uma voz que estranha, e depois entranha”. Não só a comparação como a própria voz lembram Joanna Newsom. Um zigue-zague sonoro, na mesma palavra ela consegue iniciar com força e terminar com sussurros. Muitas vezes parece uma criança de 14 anos em uma apresentação no teatro da escola.

O disco foi gravado em um prédio que servia de estúdio e casa para Mitchell durante as gravações. Em algumas canções você consegue sentir o clima, de quem acordou, comeu alguma coisa e está tocando seu violão de pijama. É tudo muito intimista. Um disco que pelas suas qualidades separadas fariam qualquer álbum merecer audição, e que unidas em um só, fazem um álbum ótimo. Não citei nenhuma canção em especial porque eu aconselho: ouça o álbum do início ao fim!

Anaïs Mitchell
The Brightness
13 de Fevereiro, Righteous Babe
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Proposta

O Arcoirá se propõe a falar de música como sentimento. É claro que nos guiamos à algumas produções específicas, que são etiquetadas principalmente como alt-country, folk e indie pop. Mesmo com essa tendência, qualquer som que pareça verdadeiro e nos toque de verdade, pode e merece receber a atenção. Seja bem-vindo.