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Diferente de suas primeiras gravações, feitas em poucos dias, com uma curta opção de equipamentos e pouca produção, “At the End of Paths Taken” é um disco bem produzido, com dedos cirúrgicos em cada sonoridade. Existe apenas um fator que os Cowboy Junkies mantiveram daqueles tempos em que alugavam prédios ou igrejas para gravações: a vontade de fazer algo sincero.

O sentimento dessa vez caminha pelas discussões de relacionamento. Uma boa discussão precisa de um ambiente limpo pra que fique tudo bem claro. É aí que entra a sonoridade do disco. Fazendo o simples da melhor maneira, a banda cria climas que mostram a evolução musical de mais de 20 anos de carreira.

Os canadenses do Cowboy Junkies, nas palavras do próprio baterista Peter Timmins, já faziam country alternativo antes mesmo do termo ser inventado. E eles seguem por esse caminho, não tão surpreendentes quanto nos primeiros discos, como “Trinity Session”, mas com a mesma capacidade de emocionar. Isso mostra que o disco, apesar do título, está mais para um novo começo que para um fim.

A voz de Margo Timmins ainda mantém uma jovialidade que conquista. A sonoridade pode embalar uma boa conversa ou preparar a cama para um bom sono. Seja na conversa ou no meio de um sonho, o assunto vai ficar mesmo na discussão sobre os relacionamentos humanos e todas as suas complicações. A experiência de mais de 20 anos eles têm pra falar disso.

Os grandes momentos do disco ficam por conta da belíssima “Brand New World”, da energia contida de “Cutting Board Blues”, do belo dueto em “Someday Soon” e do belo ritmo da obscura “It Really Doesn’t Matter Anyway”. Pra quem tem acompanhado as boas novidades da música, sugiro que deixe esse disco na gaveta e ouça quando precisar de um momento a só, pra pensar suas próprias relações.

Cowboy Junkies
At the End of Paths Taken
17 de Abril, Zoe Records
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Proposta

O Arcoirá se propõe a falar de música como sentimento. É claro que nos guiamos à algumas produções específicas, que são etiquetadas principalmente como alt-country, folk e indie pop. Mesmo com essa tendência, qualquer som que pareça verdadeiro e nos toque de verdade, pode e merece receber a atenção. Seja bem-vindo.