You are currently browsing the category archive for the 'Feist' category.

Dizer que “The Reminder”, novo disco da canadense Feist, segue a mesma linha de seus trabalhos anteriores não é nenhuma crítica negativa. Quem conhece, sabe que o “mais do mesmo” dela é bem diversificado. Pensei em colocar aqui algumas “etiquetas” no som dela, folk, jazz, blues, pop, country. Mas, pra que rotular um disco que fala por si só, ou melhor, canta por si só.
Aposto que antes de compor as canções, Leslie Feist faz alguma pesquisa para descobrir o que mantém seus ouvidos atentos e que nuances vocais são capazes de penetrar os mais duros corações. As músicas da canadense são atemporais e “inrotuláveis”, como eu já disse. Cada canção é um golpe certeiro, e ao final você joga a toalha ou beija a lona.
As melodias parecem ser produzidas com luvas macias e com algum poder que aumenta a precisão para encaixar diversas peças sonoras sem causar dano algum. Seja o piano de batidas graves em “My Moon, My Man” ou o violão lo-fi de “The Park” ou ainda os sintetizadores e palmas que criam o ritual quase tribalista de “Sea Lion Woman” (Cover de Nina Simone), tudo se encaixa sem exagero. O disco tem um “quê” de experimentalismo, mas caminhando por essa estrada, vai pelo meio do asfalto que é mais seguro, sem sujar o sapato com o barro no acostamento.
A voz de Leslie Feist é algo totalmente a parte no álbum. Deveriam lançar um disco duplo. Um com as canções, e outro só com a voz dela. O que eu consigo imaginar das nuances vocais de Feist, é algo como se ela tivesse mãos na garganta, e ao longo da música, esses dedos brincalhões fossem se divertindo com toda a capacidade das cordas vocais. Mãos que seguram forte para o sussurro apaixonante, que tencionam para o agudo hipnotizante e delicadamente vibram para que as ondas sonoras encontrem seu caminho. Como uma passagem desconhecida pela anatomia humana, uma ligação entre o ouvido e o coração.

