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Com tantas aparições de bandas de qualidade atualmente, essa palavra, “qualidade”, normalmente tem que se relacionar com algo criativo, jovem, inovador. Mas no meio de tantas experimentações, algumas com e outras sem qualidade, quando algo super redondo, sem experimentações te pega de surpresa é porque tem sua “qualidade”. A primeira vez que ouvi “If the Oceans Gets Rough”, de Willy Mason, eu pensei: “Nossa, folk-country fundamentalista” e “Com essa voz deve ser um figurão que eu ainda não conhecia ou um tiozão que descobriu a música aos 50”. Até o nome remete a alguém de certa idade. Quando fui olhar a biografia do sujeito, “nascido em 1984”. O quê? Como assim?

Filho de Jemima James e Michael Mason, ambos cantores folk, Willy Mason cresceu no meio da música e afirma que sua principal influência são seus pais. E já desde jovem, opa, ele tem só 22, desde bem jovem, Willy tocava com algumas bandas de escola. Já em carreira solo, depois de seu primeiro álbum, “Where The Humans Eat”, Mason viajou os Estados Unidos com Death Cabe For Cutie, Ben Kweller e Radiohead. Desde 2004 sem lançar álbum, depois de um tempo em casa compondo com ajuda de amigos, Mason voltou aos estúdios e lança no dia 8 de março, seu segundo disco, “If the Ocean Gets Rough”, agora pela Astralwerks, o primeiro tinha sido lançado pela Team Love Records.

Aquela impressão que eu tive, sobre a voz e a sonoridade de Willy Mason, de parecer alguém mais velho e até um disco mais antigo é a marca mais forte na sonoridade dele. Apesar de ter feito turnê com Bem Kweller e Radiohead, o som de Mason parece não abrir muito as portas para modernidades e outras influências, e aí que se deposita a qualidade do disco. Se ele tivesse aberto concessões, quem sabe seria mais um cantor folk tentando chamar a atenção. Mas a tática de Mason é diferente. Cria algo simples, baladas de folk-country puras, com aquela voz que lembra Johnny Cash e gruda na nossa cabeça as melodias e letras de suas canções. A primeira canção já prova isso, desde que ouvi o disco pela primeira vez, me vejo cantarolando o refrão “She said we’ve gotta keep walking”.

Ainda estou tentando entender melhor o disco e como ele conseguiu me conquistar. Quem sabe seja o cansaço de tanta coisa que eu tenho ouvido, e precisava de algo assim, simples, que não exige de toda sua concentração para retirar o que a canção quer. Aquele disco pra deixar rolando enquanto joga conversa fora, e independente do assunto você vai sair com um refrão na mente.

Willy Mason
If The Ocean Gets Rough
8 de Março, Astralwerks

Proposta

O Arcoirá se propõe a falar de música como sentimento. É claro que nos guiamos à algumas produções específicas, que são etiquetadas principalmente como alt-country, folk e indie pop. Mesmo com essa tendência, qualquer som que pareça verdadeiro e nos toque de verdade, pode e merece receber a atenção. Seja bem-vindo.