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Um foto que me chamou a atenção e uma história boa de contar. Vou tentar resumir.

Ela, Deb Talan, uma cantora de Boston que recebeu boa críticas já no seu primeiro álbum, Something Burning. O Club Passim, tem ela como artista da casa, mas naquela noite ela vai lá para assistir ao show de um cantor de Nova Iorque, Steven Tannen, o qual ela tem ouvido sem parar.

Ele, Steven Tallen, está no Club Passim para apresentar seu primeiro álbum, Big Senõrita. Desde que lançou seu primeiro disco tem recebido bons elogios da crítica. Ele está nervoso porque Boston é uma cidade nova pra ele e porque na platéia está Deb Talan. Ela não sabe, mas ele tem ouvido obsessivamente suas canções.

Deb e Steve começaram a compor logo na primeira noite que se conheceram e pouco depois formaram o The Weepies. The Weepies é uma banda de um básico indie-pop, bem pop mesmo. Apesar de básico, nos conquista em um ponto fraco: belas melodias. Transitam entre canções alegres e ensolaradas. Aquelas canções para deixar tocando enquanto a conversa vai. E aí, quer falar sobre o quê? Será que vai chover?

The Weepies – Nobody Knows Me At All

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Uma garota trancada em seu quarto, em pleno verão, refletindo sobre as experiências da vida, em sua maioria, as mágoas. As cores realçadas pela luz do sol forte, com toda a animação que tem como combustível o calor, isso tudo, contrastando com um coração partido. Se pudesse ser representado musicalmente, a trilha sonora seria o disco homônimo do The Postmarks.

É muito mais fácil falar do primeiro álbum de uma banda. Nada pesa, nem contra, nem a favor, é mais fácil deixar as comparações de lado e rotular o mínimo possível. Oficialmente, o disco sai só em fevereiro, pelo selo Unfiltered Records. Produzindo um indie-pop menos rock’n’roll que Camera Obscura e Belle & Sebastian e ainda mais doce que os escoceses, a banda é formada por Tim Yehezkely, Jon e Christopher Moll.

Deixando as comparações e rotulações de lado. A música dos The Postmarks é propícia a ser descrita em forma de sensações. E é assim que tentarei fazer, mesmo sabendo que essa coisa de ouvir uma canção e perceber o que se sente é muito particular.

As boas-vindas do disco chegam com “Goodbye”. Uma voz doce, macia e super feminina dizendo “Goodbye, I’ll be coming when you open your eyes”, enquanto isso você fecha seus olhos e balança a cabeça no ritmo da música, mas é pra abrir os olhos ou não? Ah, aquela sensação de verão cheio de mágoas é traduzida desde a primeira faixa, canções suaves e alegres, mas no fundo carregadas de um espírito triste. Os instrumentos não parecem brigar um com o outro. Música como uma unidade sonora harmoniosa e carregada de sentimento. É assim que consigo definir de forma mais clara.

Continuando, as belas “Looks Like Rain”, “Summer Never Seems To Last” e “Winter Spring Summer Fall” afirmam ainda mais essa idéia de sentimento contrastante que persegue a musicalidade dos The Postmarks.

Ao contrário do que acontece com algumas bandas que possuem um padrão nas canções, e acabam tornando o som cansativo, isso não acontece com os The Postmarks. Isso porque, mesmo com um padrão bem definido, os elementos que compõe as músicas da banda se alternam em equalizações, efeitos, destaques e formas. É daquelas músicas que você ouve 10 vezes e na décima vez ainda encontra um barulhinho diferente. Tudo isso, muito bem organizado, sempre deixando em maior destaque o vocal.

O disco continua com a mesma fórmula até o fim, deixando cada vez mais difícil a tarefa de eleger a música preferida. Destacam-se a divertida “Weather the Weather”, a de-quebrar-o-coração “Leaves” e a obscura “End of the Story”, que encerra o disco.

Na minha opinião, uma banda para dividir as atenções daqueles que gostam de um indie-pop, ou nouveau pop, como já foram chamados. Ainda vai dar o que falar!

The Postmarks
The Postmarks
Unfitered Records
Fevereiro/2007





Download: The Postmarks – The Postmarks

Proposta

O Arcoirá se propõe a falar de música como sentimento. É claro que nos guiamos à algumas produções específicas, que são etiquetadas principalmente como alt-country, folk e indie pop. Mesmo com essa tendência, qualquer som que pareça verdadeiro e nos toque de verdade, pode e merece receber a atenção. Seja bem-vindo.