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Seu terceiro álbum, “Can’t Go Back”, me surpreendeu pela natureza criativa e pela riqueza com que Quever trabalhou vários estilos em um só. Trabalhando um pouco de freak-folk-country-rock com um clima sessentista que me lembrou Velvet Underground, e adicionando aqui e ali um pouco do chamado Spagheti-Western, aquela sonoridade meio trilha-sonora de filmes de faroeste. Um violão dando base aqui, uma guitarra distorcida lá, um baixo marcante e a bateria colocando o ritmo no lugar. Essa banda-base dá espaço para de vez em quando um violino, um violoncelo ou um piano estilo cabaré possam dar um tom diferente à musicalidade. O vocal também é algo particular da banda. Arrastado e sujo, conquista justamente pela despreocupação ao cantar.
O disco caminha entre canções que contrastam sentimentos, tanto nas letras, mostrando o lado inseguro e indeciso de Quever, quanto na sonoridade, com climas obscuros em algumas faixas e o sol raiando em outras. Obscuro como em “John Brown”, que parece cantar a loucura de um homem e faz caber duas canções diferentes em uma só, iniciando como trilha-sonora de um faroeste, e, após o segundo verso da canção, parece alterar os sentimentos tendo o baixo como base. Ensolarado como em “Take the 227th Exit”, um blues-rock que parece ser tocado dentro de algum “Saloon” no meio do deserto, enquanto uma velha prostituta dança no palco. Ainda há espaço para canções totalmente indie-pop com um piano meio Camera Obscura e para a longa faixa “Found Bird” com alguns belos minutos de um instrumental com clima de improvisação. Ouça o disco e descubra que surpresas ele
ainda pode reservar.

