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É uma criança e brinca com tudo que vê pela frente. Vai cambaleando e quando a gente acha que vai levar um tombo, nos surpreende com um passo firme e um caminho bem escolhido. Ela também é uma criança de fases. A cada hora um brinquedo recebe a preferência. No quinto álbum da carreira, Shannon Wright aposta em mais novidade com o peso de brincadeiras passadas. Então, vamos brincar.

Toda essa metáfora fica bem evidente pra quem conhece os trabalhos anteriores de Shannon. Já tivemos brincadeiras com o blues e o folk no primeiro disco, um pouco de energia e peso no seguinte, um força instrumental no próximo, histeria e beleza com a ajuda do francês Yann Tiersen em outro e assim, depois de pegar o brinquedo, quebrar e reconstruí-lo de uma maneira própria, Shannon Wright nos apresenta “Let in the Light”.

Isso de quebrar e reconstruir é o grande charme do álbum. Já na primeira canção, “Defy this Love”, ela arrisca no jogo de misturar música clássica com um soft rock. Acerta no alvo. As peças do tabuleiro continuam a andar e o lance de dados nos leva para uma energia à la Patti Smith com “St. Pete”, como em um leve hard-boogie, mais algumas casas adiante temos “Idle Hands”, um rock básico que pode lembrar os momentos mais intimistas dos Beatles. Em seguida uma canção-confissão à influência de Donovan no som da moça com a música “When the Light Shone Down”. A sorte de Shannon Wright nesse jogo chamado “Let in the Light” continua até o final. A tática se reveza em investidas com a guitarra ou com o piano. O resultado é óbvio. Vitória fácil de Shannon.

A dança da vitória fica por conta de “Everybody’s Got Their Own Part to Play”, que encerra o disco e marca o destaque para uma produção sonora incrível que vem apenas realçar todo o talento vocal de Shannon. Vou jogar esse jogo de novo, e de novo, e de novo…

Vinicius de Oliveira

Shannon Wright
Let in the Light
8 de Maio, Touch and Go/Quaterstick
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Proposta

O Arcoirá se propõe a falar de música como sentimento. É claro que nos guiamos à algumas produções específicas, que são etiquetadas principalmente como alt-country, folk e indie pop. Mesmo com essa tendência, qualquer som que pareça verdadeiro e nos toque de verdade, pode e merece receber a atenção. Seja bem-vindo.